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A Lenda do Congado e a Festa do Mastro

 

 

            Quando foi inaugurada a antiga Capela e Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, nos princípios do século XVIII, e até atingir seu estágio atual por volta de 1740 / 1750, foi criada e organizada a Irmandade de Nossa Senhora dos Rosários dos Pretos, para zelar e cuidar das tradições inerentes a esta Santa Padroeira dos Escravos.

            Em 1758, quando a Matriz de Nossa Senhora da Conceição do arraial de Guarapiranga, atingiu seu estágio completo, houve grandes festejos nesta freguesia de Guarapiranga, inclusive a homenagem por parte da Irmandade de N. Sra. Do Rosário dos Pretos, com a criação da Banda de Congado de N. Sra. Do Rosário, ocorrendo assim a famosa “puxada do Mastro e a sua “fincada” na praça do Rosário, simbolizando uma homenagem à padroeira do antigo arraial de Guarapiranga, no dia 08  de Dezembro de 1758, dia dedicado a Nossa Senhora da Conceição.

            A partir desta data, ocorrem a tradicional festa do Mastro, logo após as festas do Rosário, que iniciavam a partir do dia 07 de Outubro ( dia de Nossa Senhora da Conceição ), e terminavam no dia 20 de Janeiro, dia de São Sebastião, com retirada do Mastro.

            Com o passar dos anos, foram fundadas várias outras bandas de Congo, provenientes dos antigos quilombos das regiões que possuíam maiores números de escravos, tais como, a região da Barra, Roncador, Santo Antônio do Guiné, Angu, Pirapetinga, Cunhas, etc. Os componentes da Banda de Nossa Senhora do Rosário eram da Vila do Carmo, do Quebra e da Barra.

            A partir da década de 1970, a tradicional Festa do Mastro, começava a puxada a partir da localidade da Barra, sendo carregado o Mastro pelos membros até a Praça do Rosário, onde ocorre a fincada do Mastro, que é uma antiga tradição que acontece de geração a geração no dia 08  de Dezembro, uma homenagem a Irmandade do Rosário dos Homens Negros à Padroeira do Antigo Arraial Nossa Senhora da Conceição do Guarapiranga.

            Atualmente, moradores da localidade do Morro, participam em conjunto com a Banda de Congado Nossa Senhora do Rosário, sendo que a outra banda existente é a do Santo Antônio do Guiné. O senhor José Ambrósio Dias , lembra que tudo começou quando ele tinha 12 anos, na Fazenda de seu pai, Joaquim Nazário: "Naquela época muita gente capinava na roça cantando o chamado jongo. Até que um dia, um trabalhador convenceu o meu pai a formar a Banda de Congado, que passou a se apresentar na Festa de Reis de Nossa Senhora do Rosário, em Janeiro. Ele conta que essa festa começou com os escravos e é, atualmente, a mais tradicional festa da cidade. Os reis e rainhas de congado saem da matriz e fazem o cortejo, até a igreja do Rosário. Enquanto isso, as bandas vão tocando e animando a festa".

             No dia 8 de dezembro ocorre a Festa do mastro, que representa o inicio da festa de Janeiro. O mastro de madeira com a bandeira de Nossa Senhora do Rosário é fixado em uma casa da zona rural até o dia 8 de Dezembro. Nesse dia, vários homens da cidade vão até a casa e levam o mastro nas costas até a praça do Rosário. O mastro fica lá até o dia 20 de Janeiro, quando é levado para outra casa na roça.

            A lenda de Chico-Rei nos conta que a origem das festas do Congado está ligada à Igreja Nossa Senhora do Rosário, situada na antiga Vila Rica ( Ouro Preto ). Segundo a lenda, o escravo batizado com o nome de Chico-Rei, viera da África com outros membros de sua família. Na sofrida viagem, rumo às Novas Terras, Francisco perdera a mulher e seus filhos, com exceção de um. Chico-Rei se instalou em Vila Rica e com o passar do tempo, com as economias obtidas no trabalho aos domingos e dias santos, conseguiu a alforria do filho.   Posteriormente, obteve a própria alforria e a dos demais súditos de sua nação que lhe apelidaram de Chico-Rei. Unidos a ele, pelos laços de submissão e solidariedade, adquiriram a riquíssima mina da Escandideira. Casado com a nova rainha, a autoridade e o prestígio do "rei preto" sobre os de sua raça foi crescendo. Organizaram a Irmandade do Rosário e Santa Efigênia, levantando pedra a pedra, com recursos próprios, a Igreja do Alto da Cruz. Por ocasião da festa dos Reis Magos, em janeiro, e na de Nossa Senhora do Rosário, em outubro, havia grandes solenidades típicas, que foram generalizadas com o nome de "Reisados". Nestas festas, Chico-Rei, de coroa e cetro, e sua côrte apareciam lá pelas 10 horas, pouco antes da missa cantada, apresentando-se com a rainha, os príncipes, os dignatários de sua realeza, cobertos de ricos mantos e trajes de gala bordados a ouro, precedidos de batedores e seguidos de músicos e dançarinos, batendo caxambus, pandeiros, marimbás e canzás, entoando ladainhas.

 

Fonte: Palavras Negras em Lavras Novas- Marcus de Nilo

Dicionário Brasil Colonial 1500-1808

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