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O arraial de Guarapiranga começou a ser povoado aproximadamente dez anos após a descoberta de ouro no Ribeirão do Carmo, região de Mariana. Nos primeiros tempos, a localidade, apesar de ter sido um dos palcos da Guerra dos Emboabas, parece ter tido pouca importância econômica.

Geralmente, o metal precioso de Guarapiranga era explorado nos rios Piranga, Calambau, Turvo e Bacalhau, ou então nas vertentes da Serra da Piedade e do Tatu. As terras que ficavam nas margens dos rios também prestavam-se à atividade agrícola. Os donos das lavras muitas vezes associavam a lide aurífera à produção de alimentos, o que permitia o desenvolvimento de uma incipiente agricultura mercantil de subsistência, produtora de milho, banana, mandioca e cana-de-açúcar. Não era raro os inventários registraram numerosos engenhos e alambiques de cobre nas imediações do arraial ou nas paróquias vizinhas.

 

 Chamou-se primeiramente Guarapiranga. Piranga é adjetivo e o significado é vermelho. Em geral os historiadores dão como primeiro explorador o taubateano João Siqueira Afonso, em 1704. Entretanto , lê-se códice Matoso que, em 1691, Francisco Rodrigues de Siqueira e Manuel Pires Rodovalho exploraram a região do Guarapiranga.

Descendo a Serra de Itaverava, em 1691 a bandeira oriunda de Taubaté-SP, comandada pelos capitães Francisco Rodrigues de Siqueira, mais conhecidos como Capitão Seriguéia e Manuel Pires Rodovalho, atingiram a Serra de Itaverava e chegaram a região do Guarapiranga às margens de um ribeirão que dá barra com o Rio Piranga (o Ribeirão Pirapetinga) e descendo léguas abaixo, encontraram uma aldeia dos gentios da família dos Botocudos e deram a este local o nome de Seriguéia, em homenagem ao Capitão Francisco Rodrigues. Devido a uma briga interna , mataram o Capitão Seriguéia e seu filho. A Bandeira retornou para a sua origem deixando uma base para futuras explorações.

Depois desta Bandeira e no ano de 1692, a Coroa Portuguesa, ordenou o Coronel João Amaro Maciel Parente, filho do Mestre de Campo Estevão Ribeiro Baião, Governador das Armas da Conquista da Bahia, para estabelecer uma base de operação oficial de colonização da região e das Minas Gerais. Consideramos a região de Guarapiranga, como berço das Gerais, devido que a vinda do coronel João Amaro Maciel Parente, um membro da Ordem de Cristo, um oficial experiente da coroa, que antes de sua vinda para estas bandas, tinha sido derrotado pelos guerreiros de Zumbi dos palmares, na distante Alagoas.

Chegando nestas paragens, com onze escravos da Guiné e mais sete peças de Carijós, com sua esposa ( a Segunda ) D. Maria Furquim, e com seu filho adotivo Feliciano, um mameluco que se tornou seu braço direito, estabeleceram-se na região do São Miguel, às margens do Rio Piranga, pouco abaixo do Arraial , uma fazenda e um engenho e , ali começou a sua base de operação e o início da fundação do Arraial. Foram construídas várias construções, uma grande fazenda com engenho de moenda, um canavial de 4 a 5 alqueires, grandes roças de milho, e outros cereais, arvoredos, benfeitorias, em ambas margens do Rio Piranga.       

Em 1694, numa planície elevada, começaram a edificação de uma capela com evocação à Nossa Senhora da Conceição, inaugurada em 08 de dezembro de 1695. Informa-se ainda o mesmo relato que uma capela ou um oratório, com a invocação de N. Sra da Conceição, edificada em 1694; e nela "lhes dizia missa um frade terceiro, por nome de Frei José de Jesus, por alcunha o Caturra." E acrescenta: " No ano seguinte de 1695, fizeram a invocação de Nossa Senhora da Conceição, por este sítio infestado de sezões e ter morrido muita gente e despejado outros. Veio por vigário para ele por provisão do Sr. Bispo do Rio de Janeiro, o Pe. Roque Pinto de Almeida e a benzeu e ficou milagrosa, que logo que foram benzidos os azares, cessaram as sezões, sarando os que tinham e ficou este sítio o mais sadio de Minas."Dando início oficial da fundação do Arraial de Nossa Senhora da Conceição de Guarapiranga, o berço das gerais, e o início oficial da colonização de todas as Minas Gerais.

Nos idos de 1704, o Bandeirante, sobrinho e neto do Capitão, João Siqueira Afonso, seguindo o rastro de seus parentes, descobre as minas de Guarapiranga, uma lavra a céu aberto no ribeirão que denominaram Córrego das Almas, em homenagem aos seus parentes mortos.

               E assim o Arraial foi crescendo às margens do Córrego das Almas e ao redor da Capela de Nossa Senhora da Conceição.  Por decreto do Rei Dom João V , no dia 16 de Fevereiro de 1718, foram instituídas as cincos primeiras paróquias das Minas Gerais e, a Paróquia de Guarapiranga, estava entre elas, apesar de que desde 1704, oficialmente já funcionava como uma verdadeira paróquia, pertencendo ao Bispado do Rio de Janeiro, sendo que desde o ano de 1704 também funcionava o cartório paroquial neste arraial.

Fato histórico importante na região foi o combate decisivo da Guerra dos Emboabas entre 1708-1709 tendo como capitão-mor Rafael da Silva e Souza, que agiu com tal prudência, que Diogo de Vasconcelos dá-o como adversário dos emboabas, aos quais teria infringido total derrota, quando atacaram o arraial.. Francisco de Assis Carvalho contesta o historiador mineiro, procurando provar que a verdade que ele foi dos principais emboabas. Parece que como a verdade a virtude está no meio.  Rafael da Silva e Souza, português, homem prudente, de espírito apaziguador , evitou que os paulistas causassem algum mal a Guarapiranga e, da mesma forma, conseguiu que não fosse o arraial destruído,desviando o combate para a região do Bacalhau, evitando que o Arraial fosse arrasado pelo terrível combate que ocorreu entre as forças paulistas e dos Emboabas, na região da fazenda da Cutia, hoje Santo Antônio do Pirapetinga. A partir deste combate, os ânimos foram esfriando, tendo a intervenção do Governador Federal e a criação das Províncias de São Paulo e Minas Gerais.

No dia 2 de Fevereiro de 1721, falece o Coronel João Amaro Maciel Parente , sendo enterrado na Matriz de Nossa Senhora da Conceição, dando alforria aos escravos oriundos da região do Guiné e marcaram sua posse com o majestoso Jequitibá, em pé, até hoje, ora denominado Jequitibá dos Palmares (A árvore foi plantada pelos escravos alforriados para comemorar e eternizar sua liberdade. Localizada na região do Palmeiras, onde está situado o antigo Quilombo de Santo Antônio do Guiné Piranga, a árvore possui 23m de altura, 6,20m de circunferência e mais de 300 anos. O símbolo de liberdade é imune ao corte por ser protegido pela lei orgânica do município localizado na região do Palmeiras , onde situa o antigo Quilombo de Santo Antônio do Guiné-Piranga ). 

Com a decadência da exploração das jazidas minerais , a partir de 1750, a região de Guarapiranga transformou-se numa região agrícola, abastecendo as demais regiões auríferas. A região do Guarapiranga foi mais intensamente povoada, nos anos de 1753, 1754, 1755 e 1756. Em 1758, a Matriz atingiu a sua forma atual, até ser demolida em 1966.

Em 1841, exatamente no dia 1º de Abril, pela lei de 202, o Governo instalado em Ouro Preto, eleva-se o Arraial à categoria de vila e município. Naquela época a Freguesia do Guarapiranga possuía 12 distritos. Num relatório datado de 25 de junho de 1849, o vigário interino, Pe. Maximiano José da Silva e Castro informava ao Presidente da República: A Matriz desta vila da Guarapiranga " conta quase meio século de existência, é uma obra de trabalho custoso e, para estes lugares, um monumento que não só atesta a sua riqueza aurífera, como também o espírito ortodoxo dos seus habitantes". Foi suprimido o município em 1865, com a lei Nº 1249, de 17 de novembro, mas foi restaurado pouco depois, com a lei de Nº 1729. Elevou-se Piranga à categoria de cidade no dia 05 de Outubro de 1870. Nas divisões administrativas do Estado, o distrito sede do município figurava com a denominação de Nossa Senhora da Conceição do Piranga; assim a lei de Nº 843 de 7 de setembro de 1923, mudou o nome do Distrito para Piranga.

Localizada na região geográfica sudeste de Minas Gerais, pelas coordenadas geográficas: 20º 45'45'' S e 43º 18'10''W, o município de Piranga faz parte da conhecida Zona da Mata Mineira, limitando-se com vários municípios. A sua área é de 657 Km2, constituída por dois distritos: Santo Antônio do Pirapetinga, distrito onde se encontram igrejas do séc. XVII, e Pinheiros Altos. Seu clima do tipo Tropical tem suas temperaturas suavizadas, temperatura máxima de 33ºc e mínima de 8ºc. As chuvas ocorrem no período de outubro a março. Situa-se a 500m acima do nível do mar, algumas regiões atingem 900m. O município é banhado pelo rio Piranga e seus afluentes.

 

Fontes: Dic. Geográfico e Histórico de MG - Waldemar Barbosa e Arquivo do Conhecimento Cláudio Manuel da Costa

 

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