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Saudades da minha terra

 

        Piranga! Saudades da minha terra, dos meus amigos de infância, da infância que poucos hoje vão viver, aliás, não vivem mais. Cada dia uma nova brincadeira, esconde-esconde; o jogo de futebol na rua onde o gol era marcado pelos chinelos ou pedra, isto quando não acontecia o campeonato do jogo de botão.

        Existia época do ano para tudo: esconde-esconde, roubar bandeirinha, toco, carrinho de rolimã, pescaria, nadar no rio Piranga, soltar papagaio, jogar o bom e sagrado Beths, assustar as pessoas com cobras de pano escondidas no mato, jogar futebol no campinho de Leila na antiga Rua da Formiga. Saudades!

        Ruas iguais à Rua Nova, penso que não existia. Era a única que tinha crianças brincando todos os dias. Recordo das noites quando brincava de esconde-esconde, surgia amigos de toda a cidade para Rua Nova. Árvores! Muitas casas tinham uma árvore em sua frente, fornecendo uma sombra fresca para os dias de calor, hoje não existem mais árvores nas ruas, aliás, não existem mais árvores na cidade.

        Sou agradecido por ter amigos como: Bruno (cabeção), Ricardo (Derrame Celebral), Jairo, André (Bioco), Leandro (Macarrão com Batatinha), Leandro (Presuntinho), Marcus Breno e Marcus Bayardo, Tadeu (Kabasso), Marcelo (Xuxinha), Breno (Breninho), Marcelo (Moscafim), Leonardo (Perrengue), João Cícero e desculpem se esqueci dos outros amigos. Amigos que ajudaram a roubar muitas jabuticabas nas casas da Rua Nova, que fizeram minha mãe dar castigo várias vezes e foram grandes companheiros da infância. Agradecido também pelo Dum Vídeo pelo meu primeiro emprego em Piranga nas filmagens de casamento, festas, aniversários.

        Olha o Zé Pereira ai gente! Tínhamos um Zé Pereira ótimo. Era uma guerra da Rua Nova X Rosário. O capeta correndo atrás das crianças, o boi fazendo a alegria dos jovens, homens vestidos de mulheres. Computadores ninguém tinha em casa, era raro. Jogávamos Atari, Nitendo, Super Nitendo, Master System. Isso tudo em televisores preto e branco.

        Escola Estadual Coronel Amantino Maciel com seus Reis e Rainhas. Muitos foram reis, rainhas, príncipes e princesas. Apenas de pensar, lembro do sino tocando para o recreio, as lancheiras onde levava os biscoitos e um copinho com suco para serem consumidos no recreio, sem falar na pipoca do He-Man de R$ 0,10 centavos que era somente uma vez por semana e o pão doce com creme.

Saudades das Festas Juninas, festas das escolas, da catequese,  Salão Paroquial, Encontros de Jovens, Congado, Festa do Mastro.

        Neste momento vieram imagens como: as excursões anuais da escola para Ouro Preto; desfile de Sete de Setembro; o Jornal Nacional apresentado na escola semanalmente; gincanas entre turmas da escola; canto do Hino Nacional; pão com mortadela ou doce de leite no recreio; o grupo de jovens formado pelo Padre Julião. Sem falar ainda em jogar fliperama (Cadillac dos Dinossauros, Street Fighter e Mortal Kombat) no antigo Flash Dance.

Comprar disco ou fita cassete no Marcelo Discos e Fitas; Bar do Itororó, Bar do Agostinho Dias, Bar do Tomé, Bar do Tony, Bar do Gato, Bar do Zizinho, Cabana de Dadinha; lembranças de Bilú de Pompéia, Èfrem o nosso gênio da música, Dona Hebe, Dona Cacilda, Dona Zélia. Saudades que me fazem lembrar e chorar de alegria.

        Lembram quando a luz ia embora? Alias, bastava chover e lá se ia a luz da cidade. Todos corriam para as ruas com suas velas, sentar no passeio e colocar a conversa em dia. As ruas ficavam lotadas e a meninada brincando de esconde – esconde, rindo com as piadas, brincando de cair no poço. E para tomar banho sem eletricidade? Lembro que minha mãe esquentava água no fogão e depois ia ao banheiro com um caneco e um balde de água, para assim eu tomar meu banho em meio daquela escuridão iluminada por uma única vela sobre a caixinha de fósforo ou pires da xícara de café.

        Personagens das Ruas Piranguenses: Zé Pastel, Pitica, Geralda de Pitica, Xuxa Doida, Raimundinho, Dêta! Pitica, esse sofria comigo! Ele não gostava que imitasse um bezerro, quando passava em frente de casa eu escondia na varanda e começa a imitar um bezerro e ficava rindo ao ver ele procurando de onde vinha o som. Pitica sempre passava correndo pela rua, às vezes sozinho ou no seu velho carrinho de mão levando a Geralda. Geralda! Saudade dela e dos seus palavrões que usava para xingar a meninada.

        O Zé Pastel todo dia aparecia lá em casa para tomar um café com biscoito de polvilho, caneco que era reservado somente para ele. Quando não tinha biscoito de polvilho ele reclamava, se contentando então com algumas rosquinhas da Vó Anita. O Dêta sempre aparece lá em casa até hoje procurando por meu avô Zé Ambrósio para pedir uma dose de pinga, se não tem, reclama. Raimundinho sempre comparecia aos sábados a tarde, acompanhado de sua gaita para tocar na varanda de casa. Ele gostava que meu irmão Lucas tocasse violão enquanto ficava a tocar sua gaita. Para ele, aquilo deveria de ser uma das melhores coisas do mundo. Já ia esquecendo de mencionar o saco de moedas que o Raimundinho carregava. Parava casa a casa pedindo algumas moedas com suas mãos trêmulas.

        Quem não se lembra das carroças que entregavam o leite pela cidade. Todas casas tinham uma leiteira na varanda ou então um litro de plástico para o leiteiro colocar o leite. O pagamento era mensal.

        Agora vamos falar da estrada: Piranga – Conselheiro Lafaiete. Gastava umas 3 a 4 horas nesse trajeto quando a estrada era de chão, isso rezando para não chover. Quantas vezes descemos dos ônibus devido ao barro nas épocas de chuva? Quantas vezes passamos noites na estrada esperando um socorro para retirar o ônibus ou carro do atoleiro? Quem nunca empurrou um carro no barro ou desceu do ônibus durante o atolamento? Se não fez isso, você não foi realmente um piranguense.

        Fim de semana era sagrado ir à missa, seja no sábado ou no domingo, se não fosse era castigo na certa. Sábado era também dia de sair e dar uma volta na praça. Praça! Saudades da antiga praça com seus jardins cheios de árvores que podíamos brincar de pique - esconde. Lembro do Sr. Antônio Dolores que vendia os picolés pelas ruas de Piranga, sempre falando alto: “Olha o picolé! Olha o picolé!” Às vezes surgia em seguida a criançada falando: “Água pura e leite de mulher! Ninguém quer!”. Antônio Dolores era quem cuidava da praça, ficava de olho em todos, se alguém colocasse o pé na grama ou no banco, lá ia ele xingar a meninada.

        Rua do Beco, Rua dos Estudantes, Escadão... Quem nunca ficou com alguma pessoa escondido em algum desses lugares? Cada vez que vou a Piranga fico assustado com a nova juventude. Crianças já não brincam mais, nascem com a infância perdida, tempos modernos.

 

       Thiago Dias Neves - 29 Anos

Referência: Infância dos 07 aos 14 anos

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